Roda de conversa “Das Mãos à Memória: o fazer feminino nas sempre-vivas” com Aureliane Freire

Roda de conversa “Das Mãos à Memória: o fazer feminino nas sempre-vivas” com a Profa. Dra. Aureliane Freire (IFNMG - campus Araçuaí)
📜 Em reverência ao Mês das Mulheres, o Museu do Diamante (Diamantina/MG) convida para um encontro que celebra o saber ancestral das mulheres apanhadoras de sempre-vivas do Alto Jequitinhonha.
📆 28 de março (sábado)
⏰ 14h30
📍 Museu do Diamante / Casa da Chica da Silva
🔸 Evento gratuito | Classificação livre
🌾 A partir das memórias de mulheres como Dona Júlia Augusta de Miranda, precursora da coleta de sempre-vivas no início do século XX, o encontro propõe refletir sobre os desafios, os modos de vida e a força do trabalho feminino no extrativismo, na cultura e na construção da autonomia dessas comunidades.
✅ Participe e celebre as mulheres que transformam natureza, trabalho e memória em patrimônio cultural.
🏛️ Visite o Museu do Diamante!
📌 Temporariamente na Praça Lobo de Mesquita, 266, Centro (Casa da Chica da Silva).
Diamantina e a tradição dos apanhadores de sempre-vivas.
Os moradores de Diamantina têm por referência a força de trabalho feminina na panha e comercialização das Sempre-Vivas. Algumas família saíram de Gouveia, alto Jequitinhonha em 1898, a exemplo de Júlia Monteiro, e difundiram o modo de vida extrativista aliado a agricultura familiar.
A produção de café, mandioca e outras culturas integra a cultura dos apanhadores de sempre-vivas. Dona Júlia Monteiro, apanhadora de sempre-vivas foi para Batatal e uma das filhas Teresa Monteiro Borges para comunidade de Galheiros, Diamantina MG.
A comunidade caminhante enfrentou impactos na sua cultura com a criação do Parque Nacional das Sempre-Vivas e a maneira encontrada para não afastar das sempre-vivas ocorreu em 1998 por meio do Projeto Terra Brasilis, Sebrae, Secretaria de Cultura de Diamantina MG. As relações de afetos entre diversas comunidades rurais de Diamantina e as sempre-vivas têm aberto novas perspectivas aos apanhadores de sempre-vivas.
Ao logo de décadas foram percursos ricos em histórias de vidas entrelaçadas pela solidariedade e cooperação. Não se trata de um movimento mapeado em uma pesquisa, os moradores de Diamantina e região narram relatos de sobrevivência e sustento das família por intermédio dos apanhadores de sempre-vivas.
Ao longo de décadas foram quilômetros percorridos desde de tropas a veículos no esforço de coletar flores nativas em campos que passariam por drásticas interrupções.
As moradias temporárias em lapas é recorrente nas memórias e ainda no sentimento de pertencimento com os campos floridos. As sempre-vivas representam a trajetória de comunidades que coabitavam as lapas na busca das sempre-vivas.
Texto: Aureliane A. Araújo
Doutora em Geografia no Tratamento da Informação Espacial PUC Minas.
