Bandas de Congo e Fincada de Mastro em Araçatiba, Viana-ES.

No dia 28 de dezembro de 2025, em um domingo radiante, estivemos em Araçatiba, uma área habitada por remanescentes quilombolas. O céu azul ensolarado prometia um dia festivo. Em meio à natureza rica, com o canto dos pássaros ecoando sob a sombra de uma majestosa castanheira, aguardávamos o início das comemorações. Logo, um locutor chegou e ajustou caixas de som e microfones para um pronunciamento. Era a inauguração do mural artístico de Araçatiba, criado por Khota Moreno em colaboração com diversos outros artistas locais. A obra, deslumbrante e impressionante, ilustra a cultura imaterial local: o Congo. Instrumentos musicais tradicionais foram esculpidos em alto-relevo, junto a animais da região. Simultaneamente, o mural homenageia outras riquezas — a tradição, a resistência e a resiliência da comunidade — através de um rosto iluminado que cativa à primeira vista. A capoeira, uma prática muito presente na área, também foi celebrada no mural, fazendo menção à mestra Kate Souza, uma figura admirada por seu trabalho na comunidade. O evento contou com a participação de quatro Bandas de Congo: Mãe Petronilha, de Araçatiba; Mocambo, de Guarapari; Mestre Tagibe, de Roda d’Água, Cariacica e Piapitangui, de Viana. Todas as Bandas mencionadas são do Espírito Santo. Fomos calorosamente recebidos pelos coordenadores da banda local — Rita, Jane e Dona Nini — além dos mestres das outras bandas do Congo. As apresentações foram marcadas por músicas vibrantes e um cortejo que tocou os corações de todos. A festividade foi encerrada com a tradicional fincada de Mastro em homenagem a São Benedito, reafirmando a força da fé, da cultura e da identidade quilombola de Araçatiba.

Por Wanderlei Porto Nascimento Aguiar.

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